Aguiar Dev
Mudança de Carreira com Carolina Vila-Nova
Carreira·28 de fevereiro de 2026·4 min

Mudança de Carreira com Carolina Vila-Nova

Resumo do episódio 67 do AguiarDev Talks. Prefere assistir? Veja o episódio completo →

Tiago Aguiar e Rafael Peixoto recebem Carolina Vila-Nova, desenvolvedora de software no Mercado Livre, que deixou mais de 20 anos de carreira no jornalismo internacional para migrar para a tecnologia. A conversa mostra uma transição sem atalhos: três anos de estudo, uma única entrevista técnica e uma reflexão honesta sobre etarismo no mercado.

O que foi discutido

  • A trajetória de mais de 20 anos de Carolina como jornalista internacional
  • O que motivou a decisão de sair do jornalismo, incluindo o desgaste físico e mental
  • Como se capacitou: MBA em tecnologia e inovação, além de dois bootcamps
  • As dificuldades para encontrar a primeira oportunidade na nova área
  • Os desafios de aprender Go como segunda linguagem logo no início da carreira
  • As diferenças de mentalidade e ritmo entre jornalismo e desenvolvimento de software
  • Os próximos passos, incluindo o interesse por ciência de dados

Principais pontos

A decisão de migrar amadureceu ao longo de anos, não da noite para o dia

Carolina descreve o processo como cheio de "falsos começos", movido por um desgaste gradual: sensação de que a experiência não era mais valorizada, acúmulo de funções, salário estagnado e impacto direto na saúde física e mental. O primeiro contato com programação veio ainda no jornalismo, ao lidar com raspagem de dados e ferramentas de visualização para investigação jornalística.

Encontrar a primeira vaga levou três anos, e o problema não era ela

Como única mantenedora da família, Carolina não podia aceitar uma remuneração de estágio, o que a levou a investir em um MBA e dois bootcamps antes de se candidatar a vagas. Ao longo de três anos de tentativas, ela participou de apenas uma entrevista técnica — e foi aprovada. A conclusão foi direta: o obstáculo não era a falta de preparo, era um mercado atravessado por preconceitos de idade, gênero e origem profissional.

Aprender Go como segunda linguagem, sob pressão de entregas reais

Ao ser alocada para um time no Mercado Livre logo após o treinamento inicial em Java, Carolina se deparou com um projeto novo em Go — linguagem que nunca tinha estudado. Aprender uma tecnologia desconhecida enquanto já precisava fazer entregas no dia a dia foi um dos momentos mais exigentes do início de carreira, mas confirmou que a segunda linguagem sempre é mais fácil que a primeira.

O jornalismo é competitivo; o desenvolvimento é colaborativo

Um dos contrastes mais marcantes apontados foi a mentalidade de equipe: jornalistas protegem fontes e competem por furos de reportagem, enquanto no desenvolvimento de software o dia a dia gira em torno de negociar, combinar e dividir tarefas continuamente. O mito do desenvolvedor isolado atrás do computador não se sustentou na prática vivida por Carolina.

Habilidades do jornalismo se tornaram diferenciais técnicos

A "casca dura" de fazer perguntas incômodas, a naturalidade em admitir o que não sabe e ir atrás de respostas, e a facilidade de puxar conversas com outros times — encontrando quem pode ajudar fora do próprio squad — vieram diretamente da experiência jornalística e se tornaram vantagens competitivas dentro da tecnologia.

Frase de destaque

"Eu não tinha condição de pagar [uma] universidade particular [...] então eu pensei em investir em uma pós-graduação" — mas o ponto central foi este: "eu cheguei à conclusão que não era eu que estava errada. Era o mercado" por Carolina Vila-Nova

Lições do episódio

  1. Uma transição de carreira pode levar anos de preparo silencioso antes da primeira oportunidade — isso não é fracasso, é o processo real.
  2. Dificuldade em conseguir entrevistas não significa necessariamente despreparo técnico; vieses de mercado (idade, gênero, origem) também pesam.
  3. Aprender uma segunda linguagem de programação tende a ser mais rápido que a primeira, mesmo sob pressão de entregas reais.
  4. Habilidades de comunicação e investigação de outras profissões se traduzem em diferenciais reais dentro da tecnologia.
  5. O trabalho em equipe na programação é constante e colaborativo — bem diferente do estereótipo do desenvolvedor isolado.
  6. Diante da IA generativa, dominar frameworks de agentes e ferramentas como Copilot ou Cursor já é exigido mesmo de quem está começando agora.