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Estágio com Stefani Matavelli
Carreira·14 de maio de 2026·6 min

Estágio com Stefani Matavelli

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Resumo do episódio 70 do AguiarDev Talks. Prefere assistir? Veja o episódio completo →

Tiago Aguiar e Rafael Peixoto recebem Stefani Matavelli, fundadora da RemoteUp, para explorar uma das dúvidas mais recorrentes de quem está começando na área de tecnologia: por que conseguir o primeiro estágio parece tão difícil hoje. A conversa passa pelos erros que eliminam candidatos logo na triagem, pelos lugares certos para procurar vagas e por como construir experiência quando ainda não se tem nenhuma.

O que foi discutido

  • Por que o estágio ficou mais competitivo e o papel da alta exigência mesmo em vagas de entrada
  • Como a onda de IA elevou as expectativas sobre candidatos iniciantes desde 2022
  • Os três erros mais comuns que derrubam um currículo ou perfil de LinkedIn antes mesmo da entrevista
  • Onde encontrar vagas além do feed do LinkedIn, incluindo o delay real de sincronização entre plataformas
  • Por que ferramentas de candidatura automática ainda trazem vagas desatualizadas ou inexistentes
  • Como criar experiência através de voluntariado, extensão acadêmica, iniciação científica e projetos no GitHub
  • O que um recrutador técnico observa ao avaliar um portfólio na primeira triagem
  • Por que visibilidade profissional é parte do jogo desde o início da carreira

Sobre Stefani Matavelli

Formada em economia, Stefani construiu trajetória em finanças, controladoria e operações, e viveu na prática o processo de conseguir seu próprio estágio — sem indicações ou contatos no mercado. Em 2021 fundou o que hoje é a RemoteUp (antigo "Estágio Remoto"), projeto de curadoria e divulgação de vagas de estágio remoto, com um trabalho de pesquisa voluntária que hoje pretende se estender também a vagas de assistente e analista júnior. Além da curadoria, oferece serviços de reestruturação de currículo e LinkedIn para quem busca a primeira oportunidade.

Principais pontos

Alta exigência mesmo em vagas de entrada

A lei do estágio prevê que a vaga seja voltada para aprendizagem, mas isso não impede empresas de pedirem experiência prévia — um requisito que, na prática, contradiz o espírito da própria lei. Segundo Stefani, esse padrão aparece com mais frequência em empresas menores, que usam o cargo de estágio para preencher uma necessidade real de equipe.

"elas precisam de um estagiário assistente, um estagiário analista júnior, ou seja, que vai entregar um trabalho de assistente ou analista, mas vai entrar como estagiário" por Stefani Matavelli

O boom de IA elevou o padrão de entrada

Depois de 2022, praticamente todas as vagas de estágio passaram a pedir conhecimento de alguma ferramenta de IA. Segundo Stefani, o movimento vem sobretudo de gestores não-técnicos, que enxergam na IA a chance de reduzir o número de contratações — uma expectativa que nem sempre se confirma no dia a dia da operação.

"eu percebi sim que, de fato, depois da IA as empresas começaram a ficar com essa crença, que iam poder diminuir funcionários e contratar funcionários de cargos bem iniciais mesmo" por Stefani Matavelli

Os três erros mais comuns no currículo e no LinkedIn

Stefani resume um "top 3" de erros que já eliminam um candidato antes da entrevista: achar que a faculdade sozinha garante emprego, não definir uma área de foco dentro da tecnologia e ter um currículo com informações de menos (sem e-mail ou telefone, por exemplo) ou de mais (endereço completo, CPF). Definir foco cedo também ajuda a direcionar os estudos com mais eficiência.

"o primeiro deles é achar que somente a faculdade garante emprego (...) o segundo ponto é não definir uma área de foco (...) o terceiro ponto (...) é ter um currículo ou LinkedIn sem informações necessárias ou com informações demais" por Stefani Matavelli

O delay do LinkedIn e onde as vagas realmente aparecem primeiro

Vagas publicadas em plataformas externas levam de 3 a 6 horas para aparecer no LinkedIn, porque a sincronização depende de um arquivo lido periodicamente por um processo automatizado — não é uma integração em tempo real. Candidatar-se direto na plataforma de origem ou na aba "trabalhe conosco" do site da empresa aumenta a chance de ser visto antes da concorrência; algumas empresas nem chegam a publicar a vaga nas redes, recrutando só pelo banco de talentos interno.

"eu já percebi de 3 a 6 horas, então por exemplo se uma empresa postar de manhã você só vai ver essa vaga à tarde" por Stefani Matavelli

Criar experiência quando ainda não se tem nenhuma

Voluntariado, extensões acadêmicas, grupos de estudo, iniciação científica e projetos pessoais no GitHub são formas legítimas de construir histórico técnico sem inventar nada no currículo. Vale buscar oportunidades de voluntariado técnico no próprio LinkedIn, participar de empresas júnior ou grupos de estudo oferecidos pela faculdade e, no caso de projetos pessoais, escolher um recorte que converse com a área de interesse — uma análise de crédito para quem mira dados financeiros, por exemplo — em vez de um projeto genérico. Um complemento citado no episódio é simular a rotina de um time real: reunir um pequeno grupo, dividir tarefas, marcar encontros recorrentes e reportar avanços, aproximando a prática da dinâmica de trabalho de verdade. O cuidado importante é não misturar essas experiências com a seção de "experiência profissional" — cada uma merece sua própria categoria, com descrição e tecnologias utilizadas, para não confundir quem está avaliando.

"quando você não tem experiência você precisa criar sua experiência" por Stefani Matavelli

Frase de destaque

"se pudesse definir e resumir, quem não é visto não é lembrado, isso já começa no início da sua carreira" por Stefani Matavelli

Lições do episódio

  1. Definir uma área de foco dentro da tecnologia desde o início evita dispersão nos estudos e aumenta a relevância do perfil nas triagens.
  2. Revise o currículo e o LinkedIn contra os três erros mais comuns: dependência só do diploma, falta de foco e informações de menos ou de mais.
  3. Não espere as vagas chegarem ao LinkedIn — candidate-se direto nas plataformas de recrutamento e na aba "trabalhe conosco" das empresas de interesse.
  4. Sem experiência profissional, construa a sua: voluntariado, extensão acadêmica, iniciação científica e projetos no GitHub contam, desde que fiquem em seções separadas no currículo.
  5. Se o projeto tiver parte visual, publique-o online e deixe o link acessível — recrutadores técnicos usam isso para agilizar a primeira triagem antes de repassar o perfil ao líder técnico.
  6. Publique e interaja genuinamente no LinkedIn ao menos uma vez por semana — visibilidade é parte do jogo desde o início da carreira, dentro e fora da empresa.
  7. Já estagiando: peça ajuda cedo em vez de travar sozinho, mostre o que está entregando e demonstre proatividade sem invadir o espaço dos outros.
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