Aguiar Dev
Dev Jr. na Era da IA
Carreira·15 de junho de 2026

Dev Jr. na Era da IA

Resumo do episódio 71 do AguiarDev Talks. Prefere assistir? Veja o episódio completo →

Arthur Korzeniewski se formou em Farmácia, fez estágios em laboratórios e farmácias de manipulação — e foi justamente dentro desses estágios que a virada aconteceu. Enquanto processos laboratoriais rodavam automaticamente, Arthur abria o notebook e codava. A conversa percorre os quase 3 anos que separaram essa faísca do primeiro emprego como Desenvolvedor Full-Stack Júnior na Avanade, passando pela questão que todo iniciante se faz hoje: vale a pena entrar nesse mercado com o avanço da IA?

O que foi discutido

  • A rotina nos estágios de farmácia e como o trabalho protocolar criou contraste com o apelo da programação
  • O início do aprendizado por curiosidade — sem plano de mudar de carreira, apenas para explorar
  • A metodologia de estudo com IA: usar o ChatGPT para desafios de lógica estudando a resposta, não copiando
  • Dois ADS simultâneos (EAD e presencial) e por que a EAD entregou mais conteúdo técnico
  • O projeto CSV Reader como simulação de ambiente empresarial real, com code review
  • Como a mentalidade sobre a IA evoluiu ao longo dos anos de aprendizado
  • O processo seletivo na DIO que resultou numa vaga de júnior na Avanade
  • Conselhos para quem quer migrar de carreira e está travado com medo da IA

Principais pontos

A farmácia como gatilho inesperado

Foi num estágio no LACEN (Laboratório Central do Estado) que Arthur teve espaço para codar de verdade. Os processos laboratoriais eram altamente automatizados — chegava a amostra, a máquina processava, saía o resultado. Com seis horas de estágio e pouca demanda de atenção, Arthur levava o notebook e programava. O contraste entre o trabalho protocolar da farmácia e a resolução de problemas que a programação oferecia foi o que solidificou a decisão de mudar.

Aprender com a IA sem depender dela

Arthur usou o ChatGPT de forma deliberada: enviava um desafio de lógica, recebia a resposta e só avançava quando entendia cada linha. Não copiava — estudava. Para algoritmos e código prático, a IA raramente alucina e funciona bem como ferramenta de aprendizado. O limite está em coisas técnico-científicas: pediu artigos acadêmicos uma vez e a IA retornou links que não existiam. Saber quando confiar e quando questionar é parte do uso consciente.

A mentalidade sobre a IA no mercado

Para Arthur, a IA substitui tarefas simples e repetitivas — não profissionais que sabem o que estão fazendo. E há um argumento estrutural: sem um júnior hoje, não haverá pleno nem sênior amanhã. A cadeia de seniority exige que pessoas comecem em algum momento; fechar as portas para iniciantes colapsa o próprio mercado. "Se você for bom, você não precisa ter medo" é a conclusão que ele tirou dos quase três anos de aprendizado.

Curiosidade como metodologia

Nos exercícios do curso, Arthur nunca parava no que era pedido. A pergunta constante era: "onde mais eu consigo chegar com esse negócio?" Ir além do exercício, explorar os limites da tecnologia e questionar o professor sobre o porquê de cada conceito — essa postura acelerou o aprendizado e o expôs a conhecimentos que estavam além do currículo base.

O caminho até a vaga

A vaga não veio diretamente pelo LinkedIn: veio pela DIO (Digital Innovation One), que tinha um bootcamp com vagas de estágio. A empresa não tinha escritório na cidade de Arthur, mas mesmo assim fez uma oferta — como júnior. O LinkedIn, porém, foi o que tornou possível a conexão que o trouxe ao podcast, e Arthur destaca que manter perfil ativo importa mesmo quando não é a fonte direta da oportunidade.

Frase de destaque

"Se você for bom, você não precisa ter medo. Se a IA substituir todo o júnior, então não vai ter mais pleno, não vai ter mais sênior também." — Arthur Korzeniewski

Takeaways

  1. Curiosidade genuína acelera o aprendizado: ir além do exercício pedido e explorar onde a tecnologia pode chegar constrói fundamentos sólidos — não apenas cobertura de currículo.
  2. A IA é uma ferramenta de aprendizado poderosa quando usada com intenção: estudar a resposta da IA, não copiar, é o que constrói conhecimento real.
  3. Mudar de carreira não precisa ser um salto no escuro: começar por curiosidade em paralelo com o que já se faz reduz o risco e permite avaliar o terreno antes de comprometer.
  4. Sem júnior hoje, não há sênior amanhã: o argumento de que a IA vai fechar as portas para iniciantes ignora que toda cadeia de seniority precisa de novos entrantes.
  5. LinkedIn importa mesmo quando não é a fonte direta da vaga: conexões indiretas abertas pela rede podem ser tão valiosas quanto uma candidatura direta.
  6. A qualidade do aprendizado depende mais do aluno que da instituição: uma EAD pode entregar mais conteúdo técnico que uma presencial se o aluno for exigente com o próprio aprendizado.