Aguiar Dev
Dev Jr. na Era da IA
Carreira·15 de junho de 2026·6 min

Dev Jr. na Era da IA

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Resumo do episódio 71 do AguiarDev Talks. Prefere assistir? Veja o episódio completo →

Arthur Korzeniewski se formou em Farmácia, passou por estágios em farmácia de manipulação e num laboratório central de análises clínicas — e foi justamente dentro desses estágios, entre um protocolo e outro, que a programação começou a ocupar espaço. A conversa percorre os quase três anos entre essa curiosidade inicial e o primeiro emprego como Desenvolvedor Full-Stack Júnior na Avanade, sempre em paralelo com a pergunta que ronda todo iniciante hoje: ainda vale a pena entrar nesse mercado com o avanço da IA?

O que foi discutido

  • A rotina nos estágios de farmácia — manipulação e depois o LACEN (Laboratório Central do Estado) — e como a automação dos processos abriu espaço para codar
  • O início do aprendizado por curiosidade, sem plano formal de trocar de carreira
  • Duas graduações em ADS cursadas ao mesmo tempo, uma EAD e outra presencial, e a comparação honesta entre as duas
  • A metodologia de estudo com IA: usar o ChatGPT para desafios de lógica, estudando a resposta em vez de copiá-la
  • Os limites da IA fora do código — o caso dos artigos acadêmicos inventados
  • Como a mentalidade sobre a IA e o medo de ser substituído evoluiu ao longo do processo
  • O caminho até a vaga: o bootcamp da DIO (Digital Innovation One) e o papel indireto do LinkedIn
  • Conselhos para quem quer migrar de carreira e está travado com medo da IA

Sobre Arthur Korzeniewski

Arthur se formou em Farmácia em dezembro de 2025, depois de estágios em farmácia de manipulação e num laboratório central de análises clínicas. Foi durante esses estágios, ainda em 2023, que começou a estudar programação por conta própria — sem intenção inicial de mudar de carreira, apenas por curiosidade. Ao longo de quase três anos, estudou lógica, .NET, banco de dados e engenharia de software, chegando a cursar duas graduações em Análise e Desenvolvimento de Sistemas simultaneamente. O esforço resultou na sua primeira oportunidade profissional em tecnologia: uma vaga de Desenvolvedor Full-Stack Júnior na Avanade.

Principais pontos

Da automação do laboratório ao notebook aberto

No LACEN, a rotina de análises clínicas já era quase toda automatizada: a amostra chegava, ia para a máquina, e o resultado saía sozinho. Com seis horas de estágio e pouca demanda real de atenção, Arthur passou a levar o próprio notebook para codar durante o expediente. O contraste entre o trabalho protocolar da farmácia — seguir etapas, aplicar um protocolo já definido — e a resolução de problemas que a programação exigia foi o que consolidou a virada.

"Eu tinha que fazer seis horas por dia. Não era uma coisa muito produtiva [...] Então eu falei: cara, eu não vou ficar aqui parado. Vou levar o meu computador e vou codar." por Arthur Korzeniewski

Aprender com a IA sem terceirizar o entendimento

O uso do ChatGPT era deliberado: recebia um desafio de lógica, pedia a resposta e só avançava depois de entender cada linha do código. A diferença entre usar a IA como atalho e usar a IA como professor, segundo ele, está inteiramente na forma como a resposta é tratada depois de recebida.

"Se você manda pra ela fazer e copia e cola, óbvio que isso é errado. Mas se você usa pra ver a resposta dela e tentar aprender com ela, isso eu acho extremamente válido — foi o que eu fiz." por Arthur Korzeniewski

Os limites da IA fora do código

Para lógica e algoritmos, Arthur considera a IA praticamente livre de alucinação — o raciocínio pode ser verificado passo a passo. Já em tarefas técnico-científicas, a experiência foi diferente: pediu artigos acadêmicos para um trabalho de faculdade e recebeu referências inventadas.

"Eu pedi artigo pra IA e ela inventava. Ela simplesmente dava os artigos que não existiam. Às vezes colocava o link e o link não abria — não existia aquele artigo." por Arthur Korzeniewski

Curiosidade como método de estudo

Nos exercícios da faculdade e das aulas particulares, Arthur raramente parava no que era pedido. A pergunta que repetia para si mesmo — e para o professor, a ponto de irritá-lo — era sempre a mesma: até onde essa tecnologia consegue ir? Essa postura de ir além do exercício proposto foi o que, segundo ele, mais contribuiu para o aprendizado real.

"A coisa que mais me ajudou durante o processo de aprendizado foi a curiosidade [...] Onde é que eu consigo ir com esse negócio? O que que eu consigo implementar com isso?" por Arthur Korzeniewski

Migrar de carreira sem dar um salto no escuro

Arthur não recomenda largar tudo de uma vez. O próprio caminho dele começou como um hobby dentro do estágio de farmácia, sem qualquer plano de entrar numa empresa como programador — só depois, com a prática acumulada, a ideia de migrar ganhou forma.

"Eu acho que é uma coisa bem complicada, é uma coisa que tem que, se for pra fazer, tem que ser devagar." por Arthur Korzeniewski

Frase de destaque

"Se você for bom, você não precisa ter medo. Se a IA substituir todo o júnior, então não vai ter mais pleno, não vai ter mais sênior também." por Arthur Korzeniewski

Lições do episódio

  1. Curiosidade genuína acelera o aprendizado: ir além do exercício pedido e explorar onde a tecnologia pode chegar constrói fundamentos sólidos — não apenas cobertura de currículo.
  2. A IA é uma ferramenta de aprendizado poderosa quando usada com intenção: pedir a resposta e estudá-la, em vez de copiá-la, é o que constrói conhecimento real.
  3. A IA tem limites claros fora do código: em tarefas técnico-científicas, como buscar referências acadêmicas, ela pode inventar fontes que não existem — checar continua sendo necessário.
  4. Mudar de carreira não precisa ser um salto no escuro: começar por curiosidade, em paralelo com o que já se faz, reduz o risco e permite avaliar o terreno antes de comprometer.
  5. Sem júnior hoje, não há sênior amanhã: o argumento de que a IA vai fechar as portas para iniciantes ignora que toda cadeia de senioridade precisa de novos entrantes.
  6. A qualidade do aprendizado depende mais do aluno que da instituição: uma graduação EAD pode entregar mais conteúdo técnico que uma presencial, se o aluno for exigente com o próprio estudo.
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