Aguiar Dev
Mudança de Carreira com Rhayssa Kramer
Carreira·23 de abril de 2026·4 min

Mudança de Carreira com Rhayssa Kramer

Resumo do episódio 69 do AguiarDev Talks. Prefere assistir? Veja o episódio completo →

Tiago Aguiar e Rafael Peixoto recebem Rhayssa Kramer, desenvolvedora full-stack na Avanade, que trocou dez anos de carreira no Direito pela programação. A conversa mostra uma transição sem atalhos: mais de 100 candidaturas, um ano e meio de busca e uma reconstrução de confiança que passou por depressão antes de chegar à primeira oportunidade.

O que foi discutido

  • A paixão por tecnologia desde a infância, mesmo tendo seguido para o Direito
  • O que motivou a decisão de deixar dez anos de carreira jurídica
  • Como a crise emocional no trabalho anterior acelerou a decisão de migrar
  • O processo de capacitação: faculdade, cursos e formações
  • As mais de 100 candidaturas e um ano e meio até a primeira oportunidade
  • A dificuldade de lidar com a própria insegurança durante a busca
  • Os planos de carreira entre desenvolvimento, segurança e DevOps

Principais pontos

A paixão por tecnologia foi adiada, não abandonada

Rhayssa cresceu ao lado de um tio analista de sistemas e teve contato precoce com computadores, mas na adolescência não enxergou representatividade nem viabilidade financeira na área — não havia mulheres visíveis na tecnologia e a faculdade mais próxima ficava inacessível. Escolheu o Direito como "plano B" seguro, por afinidade com escrita e argumentação, guardando a tecnologia como algo que "gostava, mas não seria carreira".

Uma crise de saúde mental foi o estopim da mudança

Aos 30 anos, Rhayssa começou a não se enxergar mais crescendo na carreira jurídica e, nesse período de reflexão, sofreu um assédio no trabalho que agravou um quadro depressivo já em formação. Foi esse ponto de ruptura que a levou a pesquisar se a tecnologia — seu "plano A" original — ainda era viável, e encontrar um cenário bem mais aberto a mulheres do que na sua adolescência.

A comunicação jurídica se transferiu quase intacta para a tecnologia

Diferente de outros migrantes de carreira, Rhayssa já tinha o hábito de "traduzir" linguagem técnica jurídica para clientes leigos, incluindo pessoas não alfabetizadas. Essa habilidade de adaptar a comunicação ao público se transferiu diretamente para a tecnologia, tornando a comunicação um ponto forte desde o início, e não um obstáculo a superar.

Mais de 100 candidaturas e nenhuma resposta ainda não significa despreparo

Depois de sair do emprego anterior, Rhayssa aplicou para mais de cem vagas — incluindo estágios — e recebeu recusas mesmo para posições simples que já sabia executar. O processo levou um ano e meio até a primeira oportunidade, em uma faculdade como customer experience, que serviu de ponte até a decisão de investir pesado em cursos e formações técnicas.

A maior dificuldade foi lidar consigo mesma, não com a tecnologia

Olhando em retrospecto, Rhayssa aponta a insegurança e a pressão externa — incluindo comentários sobre idade e sobre abandonar uma carreira já estabelecida — como o maior desafio da transição, maior até que o conteúdo técnico em si. Aprender a filtrar o desestímulo alheio e insistir mesmo sem garantias foi o que sustentou o processo até o primeiro "sim".

Frase de destaque

"Eu só vou desistir se eu morrer" por Rhayssa Kramer

Lições do episódio

  1. Interesses "adiados" na juventude por falta de representatividade ou de viabilidade financeira podem ser retomados mais tarde, em um cenário de mercado diferente.
  2. Uma crise pessoal ou profissional pode ser o gatilho necessário para uma mudança de carreira já represada há anos.
  3. Habilidades de comunicação construídas em outra profissão — como traduzir linguagem técnica para leigos — se transferem quase diretamente para a tecnologia.
  4. Múltiplas rejeições ao longo de uma busca de emprego não são, necessariamente, um indicador de despreparo técnico.
  5. Foque em motivação genuína pela área, não apenas em remuneração — projetos "de raiva boa" sustentam a persistência quando os resultados demoram.
  6. Antes de se comprometer com uma trilha de especialização (como segurança ou DevOps), vale experimentar diferentes frentes técnicas dentro da empresa.