Aguiar Dev
Postura Profissional com Carol Mira
Carreira·24 de março de 2026·7 min

Postura Profissional com Carol Mira

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Resumo do episódio 68 do AguiarDev Talks. Prefere assistir? Veja o episódio completo →

Tiago Aguiar e Rafael Peixoto recebem Carol Mira, mentora empresarial e especialista em RH estratégico, para discutir por que ser tecnicamente excelente não garante crescimento — nem permanência — no mercado. A conversa percorre comunicação verbal e não-verbal, perfis comportamentais, os hábitos do trabalho remoto que sabotam carreiras sem que o profissional perceba, e o que de fato é inteligência emocional na prática do dia a dia.

O que foi discutido

  • O que é RH estratégico, além da função tradicional de departamento pessoal
  • A diferença entre hard skills e soft skills, com o exemplo do vendedor técnico versus o vendedor comunicador
  • Por que 87% das demissões acontecem por comportamento, não por falta de conhecimento
  • Como desenvolver comunicação mesmo sendo uma pessoa mais introvertida
  • Os quatro perfis comportamentais da metodologia DISC e a predisposição de cada um para falar ou ouvir
  • Por que apenas 7% de uma mensagem é transmitida pelas palavras
  • Os riscos da comunicação por chat e quando trocar para áudio, ligação ou vídeo
  • O impacto de câmera desligada, ambiente desorganizado e "embalagem" pessoal no trabalho remoto
  • O que é inteligência emocional, suas competências centrais e como o "sequestro emocional" pode ser revertido

Sobre Carol Mira

Carol Mira é administradora de informação e atua há nove anos como treinadora comportamental e mentora de carreira e de líderes. Já trabalhou em multinacionais americanas e teve negócio próprio, à frente de uma equipe de 40 pessoas — experiência que, segundo ela, deu base prática para a gestão de pessoas e processos que hoje leva para outras empresas. Tem pós-graduação em psicologia organizacional e em consultoria empresarial, e descreve o RH estratégico como uma atuação que vai além do departamento pessoal tradicional: envolve processo seletivo alinhado a valores, integração cultural do novo colaborador, avaliação de desempenho, plano de desenvolvimento individual e estruturação de cargos e salários — sempre com foco em reter e desenvolver o que ela chama de "maior ativo que uma empresa tem", que são as pessoas.

Principais pontos

Comportamento demite mais do que falta de conhecimento técnico

Segundo dado que Carol atribui à Michael Page — maior agência de recrutamento do mercado, em suas palavras —, a maioria das demissões não decorre de deficiência técnica, mas de comportamento inadequado à cultura da empresa. Isso reposiciona soft skills como fator decisivo de permanência e crescimento, não como complemento opcional ao conhecimento técnico.

"Hoje, nas empresas, acredite nesse número que eu vou te passar: 87% das pessoas que são demitidas são demitidas por falta de comportamento, por falta de atitude. Não é por falta de conhecimento técnico." por Carol Mira

A comunicação é majoritariamente não-verbal

Carol usa um dado clássico de comunicação para justificar por que tom de voz, expressão e gesto pesam mais do que o conteúdo literal de uma fala. Na prática, isso explica por que um "bom dia" seco já denuncia o estado emocional de alguém antes de qualquer explicação — e por que decisões delicadas nunca deveriam ser resolvidas só por texto.

"As palavras entregam somente 7% da mensagem que você quer passar. O que vai entregar o restante dessa mensagem é a comunicação não-verbal. 93% da comunicação é o não-verbal e é o que impacta a forma como você vai receber a mensagem." por Carol Mira

Cada perfil comportamental tem uma predisposição diferente para se comunicar

A metodologia DISC identifica quatro perfis — analista, dominante executor, comunicador e planejador — cada um com graus distintos de abertura para falar, ouvir, focar em resultado ou em conexão. Perfis mais analíticos tendem a ser diretos e objetivos, com pouca abertura natural para se expor; perfis comunicadores tendem ao oposto, falando além do necessário. Para Carol, isso não é desculpa para não evoluir: comunicação é treinável em qualquer perfil, e quem não se posiciona simplesmente não é percebido.

"Comunicação é uma habilidade treinável [...]. Quem não comunica não se posiciona. Se você quiser se posicionar, se você quiser deixar muito claro qual é o teu nível de competência, você vai precisar falar sobre isso." por Carol Mira

Canais de comunicação importam tanto quanto a mensagem

Mensagens delicadas — críticas, feedbacks negativos — perdem contexto emocional quando enviadas por chat de texto, porque quem lê interpreta a partir do próprio repertório de experiências, não da intenção de quem escreveu. A recomendação prática de Carol é trocar o canal antes de mandar o conteúdo sensível.

"Sempre que você tiver que mandar uma mensagem mais delicada, tiver que fazer, por exemplo, uma crítica, ou então dar um feedback negativo, evita usar esse tipo de ferramenta [chat de texto]. É melhor você passar a mão no telefone e mandar um áudio para a pessoa." por Carol Mira

Câmera fechada apaga a maior parte da mensagem

No trabalho remoto, desligar a câmera não é um detalhe neutro — é abrir mão de 93% dos recursos de comunicação disponíveis, restando só a variação de tom de voz. Carol também liga isso à ideia de "embalagem": postura, iluminação, ambiente ao fundo e cuidado com a própria imagem comunicam profissionalismo antes de qualquer palavra ser dita.

"Quando eu fecho a câmera, eu tô matando os 93% da comunicação que eu falei aqui para vocês. A pessoa não consegue me ver, ela não consegue ver minha expressão, ela não consegue ver o meu gesto." por Carol Mira

Inteligência emocional é retomar o controle depois do "sequestro emocional"

Carol descreve a inteligência emocional como um conjunto de competências — autopercepção, autorregulação, empatia e gestão da relação — e ilustra com um episódio pessoal: ao estourar o retrovisor do carro batendo em uma pilastra, pouco antes de dar um treinamento de liderança, ela sentiu o que chama de sequestro emocional, mas conseguiu reverter o estado com respiração consciente antes do compromisso.

"Quando a emoção vem assim, muito de surpresa, e te domina, isso a gente chama de sequestro emocional. [...] Mas na hora eu assumi o controle cognitivo. Quando a gente assume esse controle, a gente respira." por Carol Mira

Frase de destaque

"O problema não são as coisas que acontecem com vocês. O problema é como vocês reagem às coisas que acontecem com vocês. E esse reagir é uma escolha nossa." por Carol Mira

Lições do episódio

  1. Invista tanto em soft skills quanto em conhecimento técnico — comportamento pesa mais do que se imagina nas decisões de demissão e promoção.
  2. Em reuniões remotas, mantenha a câmera aberta: ela carrega a maior parte da mensagem que as palavras sozinhas não entregam.
  3. Antes de enviar uma mensagem delicada por chat, avalie se o canal é adequado — áudio, ligação ou vídeo reduzem o risco de interpretação equivocada.
  4. Identificar seu próprio perfil comportamental (DISC) ajuda a entender onde você precisa investir esforço deliberado em comunicação, mesmo sendo uma pessoa mais reservada.
  5. Cuidar da própria "embalagem" — vestimenta, ambiente, pontualidade — comunica profissionalismo antes mesmo de qualquer palavra ser dita.
  6. Diante de um imprevisto, pratique pausar e respirar antes de reagir: o controle cognitivo pode ser retomado mesmo em um "sequestro emocional", e reagir bem é uma escolha, não uma fatalidade.
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