Aguiar Dev
A extinção do dev júnior
Carreira·21 de maio de 2024·6 min

A extinção do dev júnior

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Resumo do episódio 60 do AguiarDev Talks. Prefere assistir? Veja o episódio completo →

Tiago Aguiar e Rafael Peixoto recebem Enzzo Lima para discutir uma pergunta que ronda o mercado de tecnologia: o dev júnior está em extinção? A conversa passa pelo boom de cursos que marcou a pandemia, pelo aumento real das exigências para posições de entrada e por um possível conflito entre gerações que disputam o mesmo mercado — sempre pelo olhar de quem entrou há pouco tempo e sentiu essa barra na pele.

O que foi discutido

  • Como Enzzo entrou no mercado, saindo do ensino médio já com formação técnica em programação
  • Se o dev júnior está realmente desaparecendo ou só ficou mais raro de contratar
  • O efeito do boom de cursos e bootcamps que marcou o fim da pandemia
  • Por que o escopo técnico exigido de um júnior cresceu tanto em poucos anos
  • A coragem de se candidatar mesmo sem preencher todos os requisitos da vaga
  • Excesso de informação e dificuldade de escolher por onde estudar e qual tecnologia priorizar
  • Conflito geracional entre recrutadores mais experientes e quem está entrando agora
  • A importância das soft skills para lidar com pressão, ansiedade e mudança constante

Sobre Enzzo Lima

Enzzo entrou no mercado de tecnologia no início de 2022, direto depois do ensino médio. Ainda na escola, cursou o técnico em informática no Senai, período que descreve como o de maior foco da sua formação — desde os 12 anos já era "bitolado" em tecnologia, começando pelo interesse em hardware e depois migrando para Python. Ele credita ao Senai uma formação prática, baseada em projetos e conceitos sólidos, algo que, na visão dele, falta em boa parte dos cursos rápidos de hoje. Entrou no mercado justamente na cauda do boom de cursos e bootcamps da pandemia, período em que os requisitos para vagas júnior já estavam mais altos do que em qualquer momento anterior.

Principais pontos

O boom de cursos elevou a barra de entrada

A explosão de cursos e bootcamps durante a pandemia popularizou a programação e abriu portas para muita gente, mas grande parte desses cursos pulava conceitos fundamentais em favor de projetos prontos — o clone do app do banco, a "Pokédex" de sempre — copiados sem entendimento real do porquê. O resultado foi uma leva de profissionais com lacunas em fundamentos, o que, paradoxalmente, ajudou a elevar as exigências técnicas que hoje recaem sobre quem está começando.

"O que eu vi muito nesses cursos era que eles pulam conceitos, pulam coisas importantes atrás de linguagem, de conceitos, de pilares de programação, e isso acaba bagunçando todo um conceito" por Enzzo Lima

O escopo técnico de um júnior cresceu muito em poucos anos

Antigamente bastava saber uma linguagem e mexer em banco de dados para conseguir uma vaga de entrada. Hoje se espera que um júnior conheça orientação a objetos, bancos relacionais e não-relacionais, ferramentas como Elasticsearch, cloud e DevOps — um acúmulo de exigências que há poucos anos só se via em profissionais mais experientes, e que pega ainda mais pesado em quem está apenas começando.

"Na minha época, você só precisava saber mexer no banco de dados e conhecer uma linguagem. Acabou." por Tiago Aguiar

Se jogar apesar de não preencher todos os requisitos

Nenhum candidato atende 100% dos requisitos de uma vaga, e esperar esse cenário ideal significa nunca se candidatar. A recomendação é assumir a parte que já se sabe, ser honesto sobre o que falta e demonstrar disposição para aprender — foi exatamente essa sinceridade em entrevista, aliada a experiências parecidas mesmo sem dominar a tecnologia exata pedida, que abriu a primeira oportunidade de Enzzo no mercado.

"Às vezes é se jogar mesmo — pega metade dos requisitos, sei lá, uma quantidade específica, mas demonstra que quer aprender e vai" por Rafael Peixoto

Falhar faz parte do processo, não é um veredito sobre a carreira

Existe um medo instalado de que tentar e não conseguir seja algo definitivamente negativo, quando na prática essas tentativas frustradas costumam render mais aprendizado do que um acerto de primeira viagem. Encarar a falha como etapa do processo, e não como sentença, é o que permite continuar se candidatando e evoluindo mesmo diante de vagas com requisitos que parecem inalcançáveis.

"É criado muito medo de que, se você tenta e não consegue, é algo muito negativo, sendo que você pode tirar uma experiência muito vantajosa de aprendizado dessas falhas que você tem no caminho" por Enzzo Lima

O conflito geracional é natural, e as soft skills viram diferencial

Recrutadores mais experientes enfrentam pressão para acompanhar uma evolução tecnológica acelerada e, às vezes, acabam exigindo tecnologias que a própria empresa nem utiliza. Do lado de quem entra, o excesso de estímulos e de acesso à informação dificulta o foco e a paciência que o aprendizado técnico exige. Nesse cenário, competência técnica deixa de ser suficiente sozinha — a preparação emocional para lidar com pressão e a capacidade de conversar sobre os problemas que aparecem passam a pesar tanto quanto o conhecimento técnico.

"Entendo que o mundo pede uma evolução constante muito rápida e os recrutadores precisam estar se atualizando, porém às vezes eles perdem um pouco a mão do que é de fato necessário" por Enzzo Lima

Frase de destaque

"Respeite processos, tenha calma na hora de tomar suas decisões, não corra em cima de coisas que todo mundo fala — no fim, vai dar tudo certo, você vai saber lidar com as coisas que aparecem pela frente" por Enzzo Lima

Lições do episódio

  1. Não espere preencher todos os requisitos de uma vaga para se candidatar — seja honesto sobre lacunas e demonstre disposição para aprender.
  2. Falhar em uma tentativa não é definitivo: é parte do processo de aprendizado e pode gerar mais experiência do que um acerto de primeira.
  3. Evite comparar sua curva de aprendizado com a de outras pessoas — cada trajetória tem seu próprio ritmo e volume de dedicação.
  4. Diante do excesso de tecnologias e frameworks, escolher uma linguagem e aprofundar os fundamentos importa mais do que perseguir tendências.
  5. Soft skills como preparação emocional e comunicação são diferenciais tão relevantes quanto o conhecimento técnico.
  6. O conflito entre gerações no mercado é natural — entender as pressões de quem contrata e de quem está entrando reduz o atrito.
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