Aguiar Dev
Entrevista com Mônica Hillman
Carreira·10 de outubro de 2024·6 min

Entrevista com Mônica Hillman

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Resumo do episódio 64 do AguiarDev Talks. Prefere assistir? Veja o episódio completo →

Tiago Aguiar e Rafael Peixoto estreiam o formato entrevista recebendo Mônica Hillman, desenvolvedora front-end e instrutora na Alura. A conversa percorre a infância trocando de cidade com um computador como única constante, o burnout que quase encerrou a carreira antes mesmo de começar, e a virada para a educação que acabou reabrindo as portas do mercado técnico. No centro da conversa está uma pergunta que atravessa toda a trajetória: até que ponto experiência em ensino conta como experiência de verdade?

O que foi discutido

  • Os primeiros contatos de Mônica com tecnologia, do Ragnarok ao Tumblr
  • A trajetória em cursos técnicos, faculdade de tecnologias digitais e suporte de TI
  • A primeira oportunidade como desenvolvedora e o burnout que quase a fez desistir
  • Como surgiu a virada para a educação, na Alura, e o retorno à área técnica
  • A promoção para pleno no Magalu vindo de uma experiência majoritariamente educacional
  • Como aprendeu inglês se candidatando a vagas sem intenção real de aceitá-las
  • A importância crescente da comunicação escrita em ambientes remotos
  • Os planos de futuro entre a parte técnica, educacional e de comunidade

Sobre Mônica Hillman

Mônica passou a infância mudando de cidade — cinco cidades diferentes até os dez anos — e o computador de casa foi a constante que atravessou todas as mudanças: muitas horas de Ragnarok Online e, na pré-adolescência, blogs e Tumblr, onde mexia em layouts com HTML, CSS e um pouco de JavaScript sem entender exatamente o que estava fazendo. Fez cursos de informática básica ainda criança, um curso técnico de programação web no Senac aos 14 anos — formou-se com apenas mais duas pessoas de uma turma de quinze — e, na faculdade, planejava licenciatura em artes até a nota do ENEM e o orçamento limitarem as opções para um bacharelado em Tecnologias Digitais, curso híbrido entre comunicação, artes e tecnologia. O primeiro emprego foi como suporte de TI em um órgão público, função só de hardware, onde sentia que os chamados eram direcionados aos colegas homens do setor. A pandemia mudou o rumo: com o suporte presencial suspenso, passou a fazer cursos gratuitos (Alura, Next Level Week, Origamid) e a publicar o próprio progresso no LinkedIn e no Instagram — visibilidade que chamou a atenção de uma empresária local, que ofereceu o primeiro estágio como desenvolvedora.

Principais pontos

A curiosidade despretensiosa como raiz da carreira

Antes de qualquer curso formal, o primeiro contato de Mônica com programação veio de mexer em layouts de Tumblr por curiosidade, sem entender o que estava fazendo — só que funcionava. Esse tipo de exploração sem objetivo definido, comum a muita gente na área, foi o que sustentou o interesse anos depois, quando ela escolheu um curso técnico de programação web.

"Geralmente, quem tava mexendo nessas coisas também não entendia nada do que tava fazendo, só sabia o que tava fazendo." por Mônica Hillman

O preço de pular etapas

No primeiro emprego como desenvolvedora, Mônica tentou acelerar a curva de aprendizado indo direto para React sem consolidar os fundamentos de JavaScript. O resultado foi um burnout que a deixou três meses sem conseguir sentar para mexer no computador, acompanhado de síndrome do impostor — o suficiente para ela pedir demissão e cogitar deixar a programação de vez.

"Só que eu quis dar uma pulada, minha base era fraca, fui direto pro React pra conseguir minha vaga — fui pular etapa. Tive um burnout. Na época foi três meses que eu não conseguia sentar pra mexer no computador." por Mônica Hillman

Coragem para se candidatar sem o currículo "perfeito"

Depois do burnout, Mônica viu uma vaga de monitoria de projeto de ensino na Alura e se candidatou mesmo sem experiência prévia em educação. Apenas duas pessoas se inscreveram — na avaliação dela, a maioria deve ter sentido a mesma insegurança, mas desistiu antes de tentar.

"Eu vi uma vaga aberta pra instrutora monitora do projeto de ensino no método da Alura. Mandei um currículo, nem tinha experiência nem nada... só duas pessoas se inscreveram, porque a maioria das pessoas devem ter ficado com a mesma sensação que eu, mas não se inscreveram. Mesmo que você não ache que tem todas as coisas, manda currículo mesmo assim e deixe o outro lado decidir." por Mônica Hillman

Prova pesa mais que preconceito, do júnior ao pleno

Depois de quatro anos na Alura — dois como monitora, dois como instrutora — Mônica enfrentou entrevistas técnicas em que sua experiência quase inteiramente educacional era vista como desvantagem frente a candidatos com "experiência de empresa". A virada veio no Magalu, onde entrou direto como pleno com apenas cinco meses de experiência formal de mercado: pesaram a identificação com os valores da empresa e a capacidade de explicar o porquê das decisões técnicas, não só executá-las.

"Eu tenho experiência, mas eu não tenho experiência de mercado — então se eu sair daqui nunca vou conseguir algo além de júnior. [...] Fiz muita entrevista e era sempre esse ponto: a gente quer alguém que tenha experiência em empresa e não em educação." por Mônica Hillman

Aprender um idioma através de entrevistas reais

Sem afinidade com cursos tradicionais de inglês, Mônica decidiu se candidatar propositalmente a vagas em inglês para praticar conversação com falantes nativos em situações reais, mesmo sem intenção de aceitar a proposta — repetiu a estratégia cerca de cinco ou seis vezes, incluindo uma entrevista (não aprovada) para dar aula de Clojure, linguagem que ela nem dominava.

"Fiquei na minha cabeça: ou eu vou arranjar um emprego de dev, ou eu vou fazer alguma coisa em inglês, porque eu quero aprender inglês. Comecei a mandar currículo pra fazer entrevista com americanos — fiz umas cinco, seis vezes, só pra perder a vergonha. Eu nem queria a vaga." por Mônica Hillman

Frase de destaque

"Arrisca, vai. Não deu certo? Tenta de novo." por Mônica Hillman

Lições do episódio

  1. Explorar tecnologia sem pressa ou objetivo definido, como em projetos pessoais despretensiosos, pode revelar interesses que se tornam carreira.
  2. Pular etapas fundamentais para acelerar o crescimento tem um custo real — inclusive para a saúde mental.
  3. Candidatar-se mesmo sem preencher todos os requisitos é uma aposta legítima; deixar a triagem decidir.
  4. Experiência em educação é experiência técnica válida; é preciso comunicar isso com clareza em processos seletivos.
  5. Buscar situações reais de prática, mesmo fora do contexto óbvio, pode acelerar o aprendizado de uma nova habilidade, como um idioma.
  6. Comunicação escrita clara evita reuniões desnecessárias e ganha peso crescente em ambientes remotos.
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