Aguiar Dev
LinkedIn Campeão
Carreira·13 de julho de 2026·6 min

LinkedIn Campeão

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Resumo do episódio 72 do AguiarDev Talks. Prefere assistir? Veja o episódio completo →

Nicole Barra, cofundadora e COO da Strider, recebeu o convite pra falar sobre uma ferramenta que quase todo profissional de tecnologia usa, mas poucos usam bem: o LinkedIn. A conversa girou em torno de uma tensão comum — muita gente acha que "o LinkedIn não funciona" — e do que realmente acontece do outro lado da tela quando um recrutador abre um perfil.

O que foi discutido

  • Relevância real do LinkedIn — por que o argumento "comigo não funcionou" não se sustenta diante dos dados de contratação da própria plataforma.
  • Tempo de análise de um recrutador — quanto tempo, de fato, alguém gasta olhando um perfil antes de decidir se segue ou não.
  • Preenchimento do perfil — o peso de headline, foto e organização das experiências na primeira impressão.
  • Erros mais comuns — de palavras-chave genéricas a keyword stuffing, passando pelo que a atividade recente no feed comunica sobre o candidato.
  • Ajustes para vagas internacionais — idioma do perfil, localização, contexto cultural e como a Strider conecta candidatos latino-americanos a vagas remotas nos EUA.
  • Conselho final para quem está começando — como construir experiência prática antes mesmo da primeira vaga formal.

Sobre Nicole Barra

Nicole é formada em Psicologia pela UFMG e começou a carreira lecionando inglês para turmas de diferentes idades e níveis. Migrou para tecnologia construindo o setor de RH de uma startup do zero, processo que incluiu escalar o time de engenharia da empresa tanto no Brasil quanto na Moldávia. Há mais de sete anos atua com recrutamento internacional focado em vagas de tecnologia e hoje é cofundadora e COO da Strider, plataforma que já conectou mais de 100 mil candidatos latino-americanos a vagas remotas em empresas americanas.

Principais pontos

O mito de que "o LinkedIn não funciona"

Nicole reconhece a queixa, mas argumenta que ela não resiste a uma checagem simples nos próprios dados da plataforma: o LinkedIn tem uma feature nativa de "isso me ajudou a conseguir esse emprego", amplamente usada. Para vagas internacionais, o motivo é ainda mais direto — recrutadores globais buscam candidatos majoritariamente por ali, e mesmo plataformas especializadas como a Strider divulgam vagas e encontram candidatos através do LinkedIn. Hoje o perfil substitui o currículo tradicional em boa parte dos processos: a Strider, por exemplo, não recebe currículo em nenhuma etapa — o candidato importa o PDF gerado direto do próprio LinkedIn.

"O LinkedIn é completamente relevante. Esse argumento de 'não funcionou comigo, não conheço ninguém que teve sucesso' não se sustenta." por Nicole Barra

A análise de um recrutador é rápida, mas não superficial

Segundo Nicole, um recrutador não "analisa" um perfil no sentido tradicional — ele escaneia rapidamente em busca de sinais visuais e pistas de contexto, porque não pode se dar ao luxo de investir tempo demais em um único candidato antes de saber se ele vai responder, aceitar a conversa e seguir no funil. Isso não torna essa etapa menos importante: pelo contrário, é justamente essa primeira impressão rápida que precisa se sustentar ao longo do processo. Se o perfil indica domínio de uma tecnologia, a entrevista técnica vai cobrar essa mesma coerência.

"Não quero que isso faça parecer que é uma etapa que não tem tanta importância." por Nicole Barra

Palavras-chave são a base pra ser encontrado

O erro mais comum, na experiência de Nicole, é não otimizar o perfil para busca: recrutadores procuram por duas categorias de palavra-chave — a tech stack (linguagens, frameworks, ferramentas) e o segmento de negócio (fintech, saúde, varejo). Só que o oposto também prejudica: encher o perfil de palavras-chave desconectadas da experiência real, numa tentativa de aparecer em qualquer busca, confunde o recrutador porque quebra a coerência da narrativa profissional — o que ela chama de falta de "storytelling". O próprio LinkedIn penaliza esse comportamento.

"O próprio LinkedIn já penaliza isso hoje em dia, eles chamam de keyword stuffing." por Nicole Barra

O que você posta (ou comenta) também é avaliado

Além do preenchimento estático do perfil, a atividade no feed entra na avaliação — para o bem e para o mal. Comentar e interagir com publicações de profissionais da área aumenta a visibilidade do perfil perante recrutadores que nunca buscariam esse candidato ativamente. Mas o inverso também vale: uma vez que o recrutador viu uma interação problemática, isso não é esquecido formalmente, mesmo sem entrar em nenhuma avaliação estruturada.

"O que é visto não pode ser desvisto." por Nicole Barra

Vaga internacional pede outro nível de ajuste

Para quem mira uma vaga remota fora do Brasil, Nicole recomenda três ajustes específicos: manter ao menos uma versão do perfil totalmente em inglês (e coerente com a versão em português, sem informações divergentes); informar a localização real — mentir sobre isso pode inviabilizar a contratação por questões burocráticas que variam por país; e adaptar o contexto das experiências, já que um recrutador estrangeiro não sabe o peso de uma universidade ou empresa brasileira e precisa que isso seja explicado. Ela também recomenda omitir informações pessoais como idade e estado civil, prática comum no mercado americano.

"Prefiro que não saiba quantos anos eu tenho, se eu sou casada ou não, com quem eu moro." por Nicole Barra

Frase de destaque

"Cria sua própria experiência. O mercado é muito competitivo, o mercado internacional mais ainda — pra você não se frustrar e não ficar esperando a oportunidade chegar até você." por Nicole Barra

Lições do episódio

  1. O argumento "o LinkedIn não funciona pra mim" raramente resiste a uma checagem honesta — a ferramenta é o principal canal de descoberta de recrutadores, nacionais e internacionais.
  2. A primeira leitura de um recrutador é rápida (segundos), então headline, foto e organização das experiências precisam comunicar o essencial de bate-pronto.
  3. Otimize palavras-chave de tech stack e de segmento de negócio — mas sem forçar termos que não refletem a experiência real, sob risco de keyword stuffing.
  4. Sua atividade no feed (posts, comentários) também é avaliada, mesmo fora de um processo seletivo formal.
  5. Para vagas internacionais: perfil em inglês atualizado, localização real informada e contexto explicado para quem não conhece o mercado brasileiro.
  6. Sem experiência prévia? Construa portfólio com projetos reais — voluntários ou pessoais — antes de esperar a vaga ideal aparecer.
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