Erik Barroso trabalhava como técnico de manutenção no McDonald's quando decidiu migrar para programação. Sem faculdade concluída, sem experiência na área e sem rede de contatos em tecnologia, ele construiu uma rotina de estudo às 4 da manhã que sustentou por mais de 400 dias seguidos até conseguir sua primeira oportunidade. Antes disso, havia passado por um ano sem trabalho e por um emprego como instalador de fechadura eletrônica, até se estabilizar no McDonald's — o emprego mais confortável que já tivera, mas também o que o fez perceber que precisava estudar de novo para chegar mais longe. A conversa percorre o que motivou a virada, como ele organizou o tempo entre dois empregos e os conselhos práticos que deixou para quem está pensando em fazer o mesmo movimento.
Erik Barroso é baiano e mudou-se para Santa Catarina em busca de trabalho, período em que passou por empregos como instalador de fechadura eletrônica e, depois, técnico de manutenção no McDonald's. Foi nesse último emprego — o de maior salário e menor carga de trabalho real entre os que já teve — que decidiu estudar novamente, motivado pela curiosidade sobre o salário de um programador que conheceu por acaso. Começou pelo YouTube, migrou para uma faculdade de engenharia de software e hoje trabalha full-time e remoto como desenvolvedor, já mirando uma experiência profissional fora do Brasil. Também produz conteúdo semanal em seu canal, registrando sua rotina de estudos desde o primeiro dia.
Erik começou estudando às 6h, mas o tempo disponível antes do trabalho no McDonald's era curto demais para avançar em programação. A solução foi antecipar o despertador progressivamente até fixar às 4h da manhã — horário que mantinha havia mais de 400 dias no momento da gravação. Ele reservava a primeira hora para estudos ligados à fé e o restante até as 7h para programação, antes de se arrumar para o trabalho. A disciplina, segundo ele, foi o fator decisivo para viabilizar os estudos dentro de uma rotina já ocupada por emprego CLT e vida pessoal.
"Eu tenho aqui 420 dias, acordando 4 horas da manhã." por Erik Barroso
A primeira oportunidade surgiu de uma vaga postada em um grupo de Discord, com uma lista de requisitos dos quais Erik não cumpria praticamente nenhum — o único ponto de contato era não precisar estar cursando faculdade, e ele estava cursando. Ainda assim, decidiu se candidatar por não ter nada a perder. Na entrevista, os contratantes explicaram que o chamaram porque perceberam determinação na trajetória dele, não pelo conhecimento técnico que ainda não tinha.
"Eu mandei mesmo assim, entendeu? Cara, eu falei, ah, mano, vou mandar. Tipo assim, se ninguém vê meu currículo, ou se ninguém me responde, eu não estou perdendo nada com isso." por Erik Barroso
Ao conseguir a oportunidade, Erik não pôde sair imediatamente do McDonald's — o novo salário inicial era menor. Por seis meses, conciliou os dois empregos: trabalhava no McDonald's até as 18h, chegava em casa por volta das 18h15 e emendava no trabalho de programação das 18h30 às 21h, acompanhado por seu tech lead. Ele reconhece que esse período foi puxado, mas o trata como uma fase com prazo definido, não como uma rotina permanente.
"De abril a outubro eu vivi uma vida de louco assim, trabalhando em dois lugares acordando quatro horas da manhã." por Erik Barroso
Erik recomenda poupar dinheiro antes de iniciar a transição, justamente porque a primeira oportunidade na área raramente paga o mesmo que uma profissão já consolidada. Ele cita a própria experiência: só conseguiu sair do McDonald's seis meses depois de começar a trabalhar como programador, período em que viveu com dois salários somados até estabilizar. Também menciona o conceito de "ano de cão" — um período limitado de esforço intenso, aceito conscientemente como investimento, não como rotina permanente. Para ele, ter reserva financeira é o que permite recusar uma proposta ruim e esperar pela oportunidade certa.
"Junte em dinheiro o máximo que vocês conseguirem porque pra que você consiga aceitar a oportunidade que aparecer... eu não tinha como viver só com um salário de programador." por Erik Barroso
"Vale a pena eu me candidatar a uma vaga de Dotnet sem saber nada... a vaga era de back-end, e eu só tinha, estava estudando, começando a estudar para front-end." por Erik Barroso