Ser demitido é uma experiência que a maioria de quem trabalha com tecnologia vive em algum momento da carreira. Neste episódio, o próprio Tiago Aguiar assume o papel de entrevistado para compartilhar, em primeira pessoa, as duas vezes em que foi demitido — enquanto Rafael Peixoto assume a condução do programa e Yuri Marcel participa das perguntas. A conversa passa pelo choque inicial, pelos bastidores de avaliações de desempenho pouco claras e pela estratégia usada para voltar ao mercado.
Na primeira demissão, depois de mais de dez anos trabalhando na área sem nunca ter sido desligado, o impacto foi maior — uma mistura de surpresa e um golpe no orgulho profissional. Na segunda, o cenário já vinha com sinais de alerta, incluindo ondas de demissão em outras empresas, o que deixou a experiência menos traumática e mais previsível.
"Na primeira eu fiquei muito, eu lembro aqui, nitidamente, que eu fiquei com um sentimento de, poxa, não foi justo, sabe, de tipo assim, de não ter sido... falta de feedback claro" por Tiago Aguiar
Um dos pontos mais desconfortáveis das duas experiências foi a falta de consistência entre o que diferentes gestores diziam. Em uma delas, um gestor validava o trabalho enquanto outro já sinalizava alertas — e a demissão veio antes de qualquer conversa objetiva sobre o que precisava mudar. Na segunda, uma avaliação 360 baixa quebrou a média mesmo com conversas anteriores positivas, revelando um desalinhamento entre o discurso da liderança e os critérios formais de avaliação.
"Se tivessem conversas um pouco mais objetivas, ou conversas sinceras, poderia talvez ter sido revertido, ou ficado mais claro que talvez eu não estava atendendo as expectativas" por Tiago Aguiar
A avaliação por pares distantes profissionalmente — pessoas que não trabalham diretamente com o avaliado ou que tiveram contato mínimo — foi apontada como um ponto frágil do processo. Isso porque quem avalia acaba com três opções ruins: dar uma nota inflada por segurança, dar uma nota baixa sem embasamento real, ou se abster sem saber o impacto disso na média final.
"Você não sabe sobre aquela pessoa, você também não está sendo justo... é como se perguntar para você se alguém é culpado de um crime e você nunca viu a pessoa" por Tiago Aguiar
A conversa aponta que o salto de profissional técnico para gestor costuma vir com pouco preparo de gestão — muitas vezes anos de bagagem técnica contra dias de experiência como líder. Isso reforça a ideia de que decisões de desligamento não deveriam recair sobre uma única pessoa, e que ter mais de uma opinião antes de agir reduz o viés.
"Você sempre tem que ter uma segunda opinião, porque, cara, às vezes a gente pode estar enviesado... você tem que se dar o direito de estar errado" por Tiago Aguiar
Nas duas recolocações, o fator determinante não foi sorte, mas preparo: reservar um período para estudar exatamente as tecnologias usadas pelas empresas-alvo, sem necessidade de virar especialista, apenas o suficiente para sustentar uma conversa técnica real na entrevista. Essa abordagem, aplicada logo na primeira demissão, se repetiu como estratégia validada na segunda.
"Eu tenho algumas empresas que eu quero entrar... vou tirar um mês pra estudar exatamente esses requisitos técnicos... não pra ter um conhecimento sênior da tecnologia, mas só o fato de você conhecer e saber como funciona aquela tecnologia é o suficiente" por Tiago Aguiar
"Não é porque você foi demitido que você é um mal profissional... são momentos de carreira, momentos que às vezes entra um projeto que não está batendo com o que você gosta de fazer" por Tiago Aguiar