Faculdade ainda vale à pena para quem quer trabalhar com tecnologia? Joice Aguiar e Álvaro Ramos, colegas de XP e formados pela Trybe, contam como chegaram à programação vindos de áreas completamente diferentes e discutem, sem consenso fácil, se a graduação continua sendo um requisito ou se virou apenas um dos caminhos possíveis.
Joice Aguiar teve uma trajetória multifacetada antes da tecnologia: formou-se em artes cênicas, depois em pedagogia e letras para atuar dentro de escolas, e mais tarde se tornou doula, acompanhando processos de gestação e parto. Com a pandemia, impedida de atuar presencialmente com gestantes por fazerem parte do grupo de risco, migrou seu trabalho para o Instagram, onde o contato com marketing digital a levou à programação. Entrou na Universidade Virtual de São Paulo no curso de engenharia de computação e, pouco depois, ingressou na Trybe, onde conheceu Álvaro. Álvaro Ramos é formado em engenharia elétrica e teve o primeiro contato com tecnologia ainda em um curso técnico de eletroeletrônica no Senai, mexendo com microcontroladores. Durante a faculdade, a matéria de algoritmos foi o divisor de águas que o aproximou definitivamente da programação, caminho que consolidou ao ingressar na Trybe através de um processo seletivo.
Joice resume a questão central do episódio: não existe mais uma resposta única sobre a necessidade de diploma para trabalhar com tecnologia. Empresas diferentes adotam critérios diferentes — algumas dão peso ao conhecimento técnico demonstrado em portfólio, outras mantêm a exigência formal de graduação. Para ela, a decisão de cursar ou não uma faculdade depende do momento de cada pessoa e do que já foi testado antes, como um curso técnico.
"Eu acho que é sobre essa questão, né, de ter uma graduação ou não em tecnologia, acho que é um grande depende, porque a gente sabe que tem muitas empresas que não exigem a graduação em tecnologia, mas o conhecimento técnico ali pra começar a atuar como desenvolvedora, mas também tem muitas empresas que exigem a graduação em tecnologia." por Joice Aguiar
Álvaro defende o curso técnico como uma etapa anterior à faculdade — um jeito de descobrir se a área realmente interessa antes de se comprometer com anos de estudo e, no caso dele, quase 40 mil reais em mensalidades. Foi no curso técnico de eletroeletrônica no Senai, mexendo com microcontroladores, que a paixão por tecnologia surgiu; a faculdade de engenharia elétrica veio depois, motivada por essa experiência inicial.
"Eu tive o meu primeiro contato com a tecnologia, com a programação em 2014, quando eu fiz um curso técnico de eletroeletrônica no Senai, e foi lá que eu descobri, basicamente, a gente mexia com microcontroladores lá, eu apaixonei, cara, apaixonado de primeiro." por Álvaro Ramos
Mais do que o conteúdo técnico, Joice defende que o principal valor de uma graduação está nas conexões construídas ao longo do curso — pessoas que se reencontram em diferentes momentos da carreira. Ela cita a própria experiência na Trybe como exemplo de como um ambiente formativo gera uma rede que acompanha o profissional por muito tempo.
"Eu acho que vale muito a pena se graduar pra conquistar esse networking que a gente fez, por exemplo, na Tribe... o mundo de tecnologia é um mundo muito grande, mas também um mundo muito pequeno. Cada esquina que a gente dobra, a gente encontra alguém que a gente trabalhou, estudou, enfim." por Joice Aguiar
Álvaro descreve como o boom de contratações em tecnologia de alguns anos atrás afrouxou a exigência de diploma, priorizando volume de contratações. Com a desaceleração do mercado e o aumento de demissões, ele nota que as vagas voltaram a valorizar candidatos com formação — embora ainda exista espaço para quem constrói portfólio sem passar pela faculdade.
"Antigamente... deu um pouco de entrada pro pessoal que não tinha faculdade, porque a galera tava querendo realmente contratar muita gente... depois desse boom, tá até tendo um movimento de demissões, agora deu uma diminuída um pouco, e agora você até vê mais vagas que estão procurando mais profissionais com a faculdade." por Álvaro Ramos
Apesar de reconhecer o "grande depende", Álvaro é direto ao recomendar a faculdade para quem está decidindo o caminho: ela facilita o acesso a estágios nos primeiros períodos, uma experiência que pesa na hora da contratação. Entre dois candidatos sem experiência prévia, ele acredita que o diploma ainda inclina a balança.
"Eu indicaria realmente a pessoa a fazer faculdade, porque, cara, você cursando a faculdade, a pessoa pode, inclusive, nos primeiros períodos conseguir um estágio, isso é muito determinante." por Álvaro Ramos
"Independente do que você escolher, faculdade ou um curso, se dedique ao máximo, que eu tenho certeza que o mercado de trabalho vai tá de braço aberto pra vocês." por Álvaro Ramos