Formada em arquitetura e urbanismo, Mariane Algayer trabalhou três anos na área antes de migrar para programação back-end. A conversa percorre o momento em que a dúvida sobre a carreira surgiu ainda na faculdade, o contato inicial com código através da arquitetura paramétrica e o caminho até um bootcamp de um ano que a levou a uma vaga como desenvolvedora.
Mariane Algayer é formada em arquitetura e urbanismo pela Universidade Federal de Santa Catarina. Atuou por três anos na área, passando por projeto arquitetônico e acompanhamento de obras, mas manteve desde a graduação uma dúvida sobre a escolha profissional. O interesse por programação nasceu de uma pesquisa sobre arquitetura paramétrica e se transformou, ao longo de um período de estudo autodidata e depois de um bootcamp de um ano, em uma migração de carreira para o desenvolvimento de software. Hoje atua como desenvolvedora back-end, trabalhando com C#.
A transição de Mariane não começou como um plano de carreira — começou como curiosidade. Ao pesquisar temas para um possível mestrado em arquitetura paramétrica, ela esbarrou na afirmação de que todo arquiteto deveria saber programar, e isso a levou a um curso introdutório de Python no YouTube. Nesse primeiro momento, não havia intenção de migrar de área: era apenas um interesse que crescia aos poucos, enquanto ela seguia trabalhando com arquitetura. Esse padrão — gostar de algo antes de decidir profissionalizar-se nele — se repete em boa parte das transições de carreira discutidas no programa.
"O meu primeiro contato com programação foi no YouTube (...) eu fui fazendo aquele curso mais na curiosidade, porque eu estava achando divertido. E nesse primeiro momento não veio na minha cabeça que aquilo poderia se tornar uma carreira." por Mariane Algayer
Ao considerar como migrar de fato para tecnologia, a primeira hipótese de Mariane foi cursar uma segunda faculdade — mas isso não fazia sentido para o momento de vida dela. A pesquisa por alternativas a levou a um relato de outra pessoa sobre uma transição de carreira via bootcamp presencial em Londres, o que abriu a possibilidade de caminhos fora do ensino tradicional. Ela evitou cursos muito curtos, de poucos meses, por não confiar que preparassem o suficiente, e optou por um programa de um ano que cobria fundamentos, front-end, back-end e ciência da computação.
"Eu já vi que, poxa, acho que existem outras maneiras de conseguir chegar onde eu quero chegar que não seja faculdade (...) eu queria algo mais longo, que me preparasse um pouco melhor." por Mariane Algayer
Mesmo com um bootcamp estruturado para simular o ambiente de trabalho — com metodologias ágeis, projetos em grupo e rituais como planning —, a chegada ao primeiro emprego trouxe desafios que o curso não cobria por completo. A linguagem usada na vaga, C#, era nova para ela, que havia estudado JavaScript, TypeScript e Python durante o bootcamp. Os projetos reais também se mostraram mais complexos, exigindo entendimento de negócio além do conhecimento técnico. Ainda assim, ela avalia que a preparação do curso reduziu bastante a distância entre teoria e prática.
"Eu acredito que na parte técnica a maior dificuldade é que, na vida real, os projetos são mais complexos do que a gente vê ali no curso. E também tem toda a parte do negócio que você tem que entender." por Mariane Algayer
"Se você tem essa vontade, tem certeza que é isso que você quer, não tenha medo de mudar. Não é uma decisão fácil de tomar, com certeza você tem que dar um espaço pra trás, abrir mão de algumas coisas. Mas se é isso que você quer, vá em frente, que vale muito a pena." por Mariane Algayer