Neste primeiro programa dedicado inteiramente a uma tecnologia, as convidadas Gleice Ellen e Mônica Ribeiro mergulham no universo Java. A conversa passa pelos motivos que sustentam a linguagem no mercado há quase três décadas, pelo papel central do Spring no dia a dia de quem programa em Java e pela pergunta que sempre volta: com o crescimento do Kotlin, o Java ainda tem futuro?
Gleice Ellen e Mônica Ribeiro são desenvolvedoras com trajetória consolidada no ecossistema Java. Mônica teve o C como sua primeira linguagem de programação e migrou para Java na sequência, período em que também explorou a construção de soluções sem depender de frameworks prontos. Gleice, por sua vez, teve Java como sua primeira linguagem e descreve uma relação afetiva com a tecnologia desde o início da carreira. Ambas atuam no dia a dia com Spring e acompanham de perto a evolução das versões mais recentes da linguagem, além de se dedicarem a produzir conteúdo educativo sobre Java nas redes sociais.
Gleice explica que a escolha por Java costuma estar ligada a aplicações que exigem segurança e alta capacidade de processamento. Não é uma linguagem escolhida por modismo, mas por atender bem cenários de missão crítica, onde volume de requisições e estabilidade pesam mais do que a curva de aprendizado inicial. Essa característica explica por que tantas aplicações corporativas de grande porte continuam construídas em Java, mesmo com a chegada de linguagens mais recentes.
"Uma linguagem robusta, uma linguagem utilizada, na maioria das vezes, quando a aplicação necessita de segurança mesmo, tem que lidar com várias requests, processamento muito alto" por Gleice Ellen
Mônica destaca que boa parte da força do Java vem da combinação entre tempo de mercado e comunidade ativa. Uma linguagem com quase três décadas de existência só se mantém relevante se continuar evoluindo — e é isso que ela credita ao Java, citando a qualidade da documentação oficial e o volume de fóruns e discussões disponíveis para quem está aprendendo ou travado em um problema.
"O Java está aí há 27 anos. Então, o que ele já cresceu, o que já evoluiu nesse tempo é, assim, sensacional" por Mônica Ribeiro
Sobre a comparação com o Kotlin, Mônica reconhece que o surgimento da linguagem da JetBrains teve um efeito prático: acelerou a evolução do próprio Java. Recursos que demoravam a chegar, como lambdas e melhorias de sintaxe, passaram a evoluir com mais velocidade depois que o Kotlin ganhou espaço, especialmente após ser oficializado pelo Google como linguagem para Android em 2017.
"Eu acho que foi interessante ter surgido Kotlin e talvez dê uma sacudida no Java para dar esse passo de evolução, sabe?" por Mônica Ribeiro
Gleice complementa o raciocínio de Mônica reforçando que as versões recentes do Java já entregam usabilidade comparável às linguagens mais modernas. A percepção de que "Java é verboso" fica cada vez mais distante da realidade das versões atuais, o que reforça o argumento de que abandonar a linguagem por conta de comparações ultrapassadas é um erro.
"Java 17 está bem competitivo, tanto em questão de performance quanto nessa usabilidade que eu falei" por Gleice Ellen
Ao explicar o papel do framework, a resposta é direta: Spring não é apenas uma biblioteca, é praticamente um universo dentro do Java, com o Spring Boot simplificando a configuração de projetos inteiros e a injeção de dependências. É esse conjunto — plataforma JDK mais o framework — que sustenta a maior parte das vagas do mercado voltadas a Java hoje.
"O spring é o framework que a gente utiliza pra facilitar a criação de códigos em Java" por Mônica Ribeiro
Diante da pergunta clássica sobre o futuro da linguagem, Gleice rebate com humor a ideia de que o Java estaria com os dias contados, lembrando que mesmo o crescimento do Kotlin no back-end não muda o fato de que Java continua sendo a linguagem mais utilizada em projetos já existentes no mercado — o que por si só garante demanda por muitos anos.
"Por mais que sim tem muitas outras linguagens subindo, o Kotlin, por exemplo, pra backend tem crescido bastante, a linguagem ainda é muito relevante e ainda vale muito a pena aprender" por Gleice Ellen
"Eu gosto muito dessa história do Java vai morrer, porque daí a galera não entra do Java, as vagas continuam pra gente" por Gleice Ellen