Jhenyffer Coutinho, CEO e fundadora da Se candidate, mulher, conta a origem e a trajetória da empresa que ajuda mulheres a conquistar vagas e promoções no mercado de trabalho. A conversa passa por dois dados que motivaram a criação do negócio, pela metodologia de empregabilidade usada para preparar candidatas e por marcos como prêmios, uma rodada de investimento e os planos para os anos seguintes.
Jhenyffer Coutinho é CEO e fundadora da Se candidate, mulher. Antes de empreender, atuava como gestora de gente e conheceu, em um workshop de liderança feminina de 2018, o dado sobre a diferença entre homens e mulheres na hora de se candidatar a uma vaga. A ideia ficou engavetada até 2020, quando o agravamento do desemprego feminino durante a pandemia a levou a transformar a constatação em negócio. Vem do ecossistema de startups, o que ela credita por tê-la preparado para o ambiente competitivo e questionador do mercado de investimento, majoritariamente masculino. Hoje lidera um time de cerca de 25 pessoas — a maioria mulheres, mas não exclusivamente — e conduziu a empresa até uma rodada de investimento de R$ 1,2 milhão.
A ideia da Se candidate, mulher nasceu de uma estatística sobre comportamento de candidatura: mulheres tendem a só se candidatar quando cumprem todos os pré-requisitos de uma vaga, enquanto homens se candidatam com uma fração muito menor. Como gestora de pessoas na época, Jhenyffer reconheceu o padrão nos dois lados — como mulher que deixava de se candidatar e como gestora que sabia que raramente existe um profissional perfeito. A ideia ficou parada por dois anos, até que o agravamento do desemprego feminino durante a pandemia a transformou em ação concreta.
"Eu descobri um dado que falava que a maioria de nós mulheres a gente só se candidata numa vaga quando a gente tem todos os pré-requisitos, quando a gente tem 100% dos pré-requisitos, e os homens fazem isso com 60% dos pré-requisitos" por Jhenyffer Coutinho
A Se candidate, mulher não ensina profissão — ensina a mulher a se vender num processo seletivo. A empresa estudou cerca de 2 mil mulheres em 2020 para entender o que fazia algumas delas se candidatarem enquanto outras recuavam, e cruzou isso com conversas com empresas contratantes para entender por que elas diziam não encontrar candidatas. O resultado foi uma metodologia de currículo, LinkedIn e postura em entrevista — a parte técnica, quando necessária, fica a cargo de parcerias com outras instituições.
"É como se eu pegasse um diamante bruto, em geral elas são tecnicamente muito boas ou estão preparadas para essas vagas, mas elas não sabem mostrar isso num processo" por Jhenyffer Coutinho
Jhenyffer defende o LinkedIn como a ferramenta mais eficaz de recolocação, mesmo fora da bolha de tecnologia — cita clientes recentes de áreas como engenharia industrial e ciências contábeis. Ao mesmo tempo, reconhece que a rede é o que cada usuário constrói: a timeline reflete as conexões e interações de cada um, e mudar quem se segue muda o que aparece. Ela descreve o próprio processo de reconstruir a timeline ao perceber que a incomodava só por refletir as escolhas de conexão que ela mesma havia feito.
"Para quem aprende, um emprego, promoção de emprego, é a menina de ouro ainda, aproveita que não é todo mundo que sabe disso" por Jhenyffer Coutinho
Desde o início, o time da Se candidate, mulher tratou resultado como não negociável, mesmo sendo um negócio de impacto social. Jhenyffer argumenta que trabalhos de impacto costumam ganhar folga de prazo e de métrica por estarem "fazendo o bem", e que essa folga é justamente o que ela recusou desde o começo — o compromisso era demonstrar números desde a validação inicial do negócio.
"Se eu não tivesse resultado, ia ser... não ia adiantar. Não ia ser um negócio" por Jhenyffer Coutinho
Depois de rodar de forma reativa ao mercado — atendendo clientes que batiam à porta —, a empresa fechou uma rodada de R$ 1,2 milhão para estruturar uma área comercial ativa, migrar de uma stack no-code/low-code para tecnologia própria e investir em marketing para alcançar mulheres fora da base atual de cerca de 120 mil seguidores no LinkedIn.
"As candidatas foram reativas ao mercado, então a cliente batia até a minha porta... agora a gente quer ir atrás das empresas" por Jhenyffer Coutinho
"Resolver desigualdade de gênero no mercado não é resolver só problema social. É resolver problema econômico" por Jhenyffer Coutinho