Yuri Marcel voltou ao podcast para contar como foi desenvolver seu segundo jogo mobile — desta vez em 2D, depois de um primeiro projeto em 3D. A conversa passou pela motivação por trás do jogo, pelas diferenças técnicas entre trabalhar em duas ou três dimensões e pelos cuidados específicos de monetização e privacidade que um público infantil exige das plataformas.
Yuri Marcel é desenvolvedor e já havia participado do podcast no episódio 13, quando contou sobre seu primeiro game mobile em 3D. Depois de publicar aquele projeto no Google Play e corrigir os bugs iniciais, ele decidiu encarar um segundo jogo, desta vez em 2D, batizado de "Mundo das Fadas". O projeto nasceu de um compromisso pessoal: suas sobrinhas não gostaram do primeiro jogo, de temática mais pesada, e ele prometeu criar algo com unicórnios, do jeito que elas desenhavam. Yuri trabalha com Unity e C#, reaproveitando entre projetos uma base de código já validada para persistência em banco relacional.
Antes de arriscar entregar uma versão pronta, Yuri gravou um vídeo do protótipo rodando na própria tela do Unity e mandou para as sobrinhas validarem. A reação — pedidos de cabelo roxo e cenários mais coloridos — funcionou como uma reunião de definição de requisitos informal, e as próprias crianças se tornaram testadoras contínuas do jogo depois do lançamento, reportando bugs por áudio.
"Eu tenho até aqui os áudios dela gravando, tipo assim: tio, eu estou na fase 4, eu peguei a chave, mas eu encontrei aqui um bug, eu não consigo passar aqui na parede" por Yuri Marcel
No primeiro jogo, em 3D, a câmera em terceira pessoa colidia com paredes e gerava bugs de física difíceis de prever — o personagem continuava andando e a câmera "voava" ao colidir com o cenário. Ao migrar para 2D, esse problema simplesmente deixou de existir, porque a câmera passa a se comportar como um observador externo ao cenário, sem colisão com nada.
"É como se a câmera fosse seus olhos, se você estivesse no museu naquele corredor... você consegue se movimentar tranquilamente entre o corredor do museu olhando pros quadros na parede" por Yuri Marcel
Para participar do programa "Feito para Família" do Google — obrigatório para apps voltados a menores de 13 anos — Yuri precisou adaptar funcionalidades que já usava sem problemas no primeiro jogo. Um exemplo foi a recompensa por assistir anúncios: o formato antigo, que obrigava a criança a ver o vídeo inteiro, foi reprovado e teve que ser refeito para permitir pular rapidamente.
"Antes era um vídeo de 30 segundos que eu era obrigado a assistir e agora não, com 5 segundos aparece o botão para ele sair se quiser" por Yuri Marcel
Ao longo do processo de aprovação, Yuri recebeu correções sucessivas de um revisor humano da Google, identificável pelo tom das respostas — inclusive um certo desgaste depois de várias submissões que não corrigiam completamente os problemas apontados.
"Eu sei que era uma pessoa de verdade... ela mandou o e-mail e ainda grafou assim o que é que eu tinha que corrigir que não tinha corrigido na versão que eu mandei novamente, foi aí que eu concluí: não, cara, é uma pessoa mesmo" por Yuri Marcel
Parte do escopo original incluía customizações mais elaboradas — sapatos, chapéus — que exigiriam sprites e ajustes específicos para cada combinação visual. Percebendo que isso inflaria demais o cronograma, Yuri decidiu simplificar e transformar parte dessas customizações em itens de monetização, mantendo o projeto viável.
"Começou a demorar muito, o escopo ficou muito grande... aí eu falei: quer saber, eu deixo lá só a varinha, o cabelinho e o vestidinho pronto, tá bom demais pra elas, vou criar uma monetização e tá bom, porque se não o escopo vai ficando muito grande, a gente passa pra aquele velho problema: projeto muito longo, mais risco de não dar certo" por Yuri Marcel
"Todo problema gera solução e toda solução gera conhecimento, e isso daí é o que vale" por Yuri Marcel