Antes de programar, Nykolle Malone cuidava de pacientes. Formada em enfermagem, com residência em saúde da família e pós-graduação em auditoria em saúde, ela decidiu, aos 2019, trocar de área sem nenhum contato prévio no mercado de tecnologia. Hoje trabalha como desenvolvedora front-end, 100% remoto, para uma empresa de Londres.
Nykolle se formou em enfermagem depois de passar no vestibular da Famerp, em São José do Rio Preto. Fez residência em saúde da família, trabalhou quase dois anos em auditoria em saúde e depois atuou em gestão de saúde em São Paulo. Foi ao sair desse último emprego, em agosto de 2019, que começou a pesquisar o mercado de tecnologia — motivada tanto pelo interesse antigo por entender "como tudo funciona" quanto pela quantidade de vagas e startups em crescimento que via no LinkedIn. Estudou por meses, entre cursos online e bootcamps presenciais, até conseguir a primeira vaga como desenvolvedora front-end em março de 2020.
Um receio comum de quem migra de carreira é sentir que jogou fora anos de formação em outra área. Nykolle mostra o oposto: seu primeiro emprego em tecnologia foi justamente em um hospital, reconstruindo o prontuário eletrônico — e o conhecimento de enfermagem foi decisivo tanto para entender o problema quanto para conversar com a equipe.
"Todo pelo meu background de enfermagem, então ali foi muito útil para o trabalho que eu ia desenvolver também, que era para refazer o prontuário eletrônico deles que eles haviam criado." por Nykolle Malone
Ela reforça que sistemas de saúde não toleram falhas de comunicação entre módulos — como a integração entre enfermaria e farmácia, que precisa garantir que o remédio certo chegue ao paciente certo. Ter vivido esse contexto por dentro, como enfermeira, deu a ela um cuidado extra ao lidar com esse tipo de sistema como desenvolvedora.
A transição não veio de um curso relâmpago. Nykolle começou testando um curso online de 20 reais só para sentir se fazia sentido, gostou, e a partir de setembro de 2019 estudou de forma intensa e constante — cursos online, um bootcamp presencial de dez semanas e outro de cinco — até fechar a primeira proposta em março de 2020.
"Não é nada fácil. [...] Eu sabia que estava disposta para aquilo, porque eu sabia que precisava disso para chegar onde eu quero." por Nykolle Malone
Ela também foi transparente nos processos seletivos sobre estar em transição de carreira, e reconhece que isso pesou negativamente em pelo menos duas tentativas, quando as empresas queriam alguém com formação prévia mais próxima de exatas ou computação. A vaga que aceitou, no entanto, viu valor justamente na combinação da sua experiência anterior com a disposição para aprender.
Ao ser questionada sobre o que diria a mulheres que querem entrar em tecnologia, Nykolle citou o padrão observado no mercado: mulheres tendem a se candidatar a menos vagas por sentir que precisam atender a todos os requisitos listados, enquanto homens se candidatam mesmo cumprindo apenas parte deles.
"Eu acho que tem que ter coragem mesmo, e saber que a gente pode ter tanto quanto, ou muito mais do que os homens." por Nykolle Malone
Sobre o caminho de estudo em si, ela defende foco em vez de dispersão: escolher uma linguagem — no caso dela, JavaScript, base tanto para front-end quanto para back-end com Node — e se aprofundar nela antes de tentar abraçar tudo ao mesmo tempo.
"A gente tem que focar mesmo naquilo, entender o nosso momento, ver como que a gente consegue fazer, até pro nosso desenvolvimento ser melhor." por Nykolle Malone
"Não é nada fácil. Mas eu sabia que estava disposta para aquilo, porque eu sabia que precisava disso para chegar onde eu quero." por Nykolle Malone